terça-feira, 2 de novembro de 2010

O chá de cadeira e o tempero


Era uma sexta-feira de agosto. O restaurante italiano bem localizado na área de concentração dos teatros estava fervilhando, afinal, mais um final de semana estava apenas começando.

Aguardando a conclusão do preparo de um prato, avistei uma bela moça, alva, por volta dos seus 28 anos, sentada a uma mesa próxima, firme com elegância. Maquiagem com tons avermelhados fortes, o cabelo castanho esculpido cuidadosamente num belo arranjo feito por algum cabeleireiro, os olhos castanhos impacientes combinavam harmoniosamente com o cabelo. Trajava um belo vestido azul, com uma tonalidade que não sei mencionar, um vestido de festa. No braço, um delicado relógio consultado a exaustão.

Na medida que o tempo passava, os olhos se concentravam na porta. Minutos depois o celular apareceu e ficou sob a mesa. Cada ligação era em vão, pela expressão no rosto, nada de mensagens, a não ser as que foram enviadas por ela.

Recebemos o prato, não me recordo bem o que, estou enfatuado de comida italiana, mas lembro bem da maravilhosa carne de carneiro que desmanchava no garfo.

A elegância como uma pedra de gelo caída na rua num sol extenuante foi sendo derretida pela ansiedade e impaciência. O cotovelo apoiava o braço que suportava o queixo delicadamente com a mão bem cuidada com as unhas pintadas de vermelho que tocavam repetidas vezes suavemente a maçã do rosto. E os olhos congelados na porta.

É claro que ela não foi a primeira e não será a última garota que provou de um chá de cadeira numa sexta à noite, mas até hoje me pergunto duas coisas: o que motivou o atraso de seu par? Seria o trabalho, o trânsito, uma outra amante, a fatalidade, o desgaste da relação? E a última pergunta: qual era o tempero utilizado no carneiro? Seria curry com coentro?

Depois de mais alguns minutos a garota chamou o garçom, que avisou o porteiro, que solicitou um táxi. A bela garota esbelta vestida de azul, com as costas nuas se dirigiu a porta e desapareceu na cidade conduzida pelo motorista. Que pecado.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A catota e o cíume


Quarta-feira, noite típica de inverno numa cidade grande e fria. O casal se despede dos amigos, entra correndo no carro e após a partida, ligam o aquecedor. Gigi e Diego são daqueles casais em que o rapaz é o mais jovem da relação, uma diferença de sete anos mesmo os dois possuindo vinte e poucos anos. A mulher estava na direção e resolveu pegar um atalho, passando por ruas estreitas rodeadas de árvores de um parque da cidade onde as pessoas adoram fazer caminhadas e jogar conversa fora nos finais de semana.
Gigi começa então a falar sobre os problemas de seu trabalho, a dificuldade em lidar com alguns colegas e a irritação proporcionada por essa interações. Num certo momento, o carro para no semáforo e Diego faz um grande esforço para interagir com a namorada nesse diálogo com cara de monólogo. “Está verde”, avisa o rapaz para a moça distraída que não para de falar.
O carro passa o farol e entra numa extensa avenida da cidade que os conduzirá as imediações da casa de Diego. Já cansado de ouvir as reclamações de Gigi, distraidamente introduz o dedo indicador numa das narinas e começa a limpar o salão, um desses cutucões onde o dedo faz movimentos meio circulares e profundos no nariz. Após alguns segundos, percebe que há um veículo emparelhado acompanhando o trajeto do carro. Ao olhar pela janela, percebe que está protagonizando um show apreciado por alguns estudantes entediados que estavam numa Van retornando para casa. “É mesmo! O Campus da Universidade fica por aqui...”, após esse rápido pensamento, o jeito mesmo é assumir o cutucão, então começa a se insinuar com o dedo no nariz para a sua platéia. A reação é surpreendente e leva o público ao delírio. Alguns estudantes estavam acordando os sonolentos da Van para assistir ao espetáculo.
Gigi ao perceber que seu namorado estava inquieto, ao olhar para o lado, percebeu que uma estudante já estava com parte do corpo para fora da janela soltando gritinhos histéricos e rindo da cena que acompanhava. Indignada, perguntou: “Diego o que é isso? Paquerando essa vagaba bem na minha frente?”. Com o dedo no nariz, o rapaz respondeu: “Claro que não, estou limpando o nariz com o dedo e o pessoal estava olhando, daí resolvi tornar a situação divertida” e virou-se rapidamente para atender os espectadores, exibindo caretas, sem tirar o dedo do nariz.
Mas a moça insistiu: “Para com isso, ela não tem que ficar te olhando não. Para de dar bola para essa guria”. “Bola para essa guria? Gigi isso é uma brincadeira, que mulher no universo seria conquistada por um homem que chega nela com um dedo no nariz? Isso não existe...”. Nesse momento o carro do casal acelerou, passou a Van, Diego consegui dar um tchauzinho com a outra mão para os seus fãs e adiante entraram numa rua apenas para se distanciar da Van.
Gigi ficou muito magoada naquela noite, sentiu-se traída por Diego que a trocou por uma qualquer e ainda fez isso estando ao seu lado! Por mais que Diego explicasse a brincadeira e argumentasse coerentemente que dificilmente uma mulher se sentiria atraída por um homem com o dedo dentro do nariz, a mágoa levou alguns dias para ser superada. Mas talvez a coisa mais irônica que aconteceu nesse relacionamento foi Gigi ter traído Diego com um suposto amigo, mais velho e mais gordo que ele sem nunca ter ciúme da atenção que ela oferecia ao rapaz. Vá entender...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O que estou fazendo - out 2009


Estou meio sumido para uns e muito presente para outros. Para quem sente minha ausência, lá vai um balanço do que estou fazendo entre os meses de agosto e outubro do estranho ano de 2009:

* Estou em Mauá: voltei para essa cidade meio na surdina, para procurar emprego e voltar a morar na grande São Paulo. Estou com fone novo, quem quiser me peça que eu passo via e-mail, orkut, twitter, etc...

* Estou tentando escrever uma graphic novel: como gosto de histórias, resolvi escrever uma sobre Zumbis na cidade de São Paulo. Meio inspirado por Admirável Mundo Novo de Huxley, estou escrevendo essa história e o Sugoi na medida do impossível está fazendo a arte, se isso vai sair, é uma outra história...

* Estou procurando emprego: sim, nas áreas de Logística e PCP. Quero muito voltar a atuar nessas áreas e também voltar a estudar para entrar no mercado como professor. Por enquanto, estou na correria para conseguir algumas entrevistas.

* Sai da MPC: é estranho escrever isso: "sai da MPC", mas fiz isso para focar minhas energias e recursos para a atuação numa área onde eu tenha retorno fincanceiro. Preciso comprar comida né... Dependendo, essa saída da MPC é um até logo...

* Estou procurando uma comunidade cristã em SP: sou um cara como outro qualquer, portanto, sou um cafajeste...rs Procuro um grupo de pessoas que vivam uma experiência cristã comunitária e estejam dispostas a receber mais um pecador. Dia desses eu vou dar um pulo na CBM (acho que é isso), comunidade do meu amigo Rubão. Aceito indicações, desde que sejam para grupos de pessoas que saibam que são pecadoras e dependam de Jesus para viver, do contrário, não me convide nem por educação.

* Estou enchendo o saco do meu primo Tiago: com ele fechei os jogos Castlevania 3 e Battletoads, conheci o jogo do The Warriors (muito louco) e pensamos sobre soluções para o desemprego, economia, informática, a vida, o universo e tudo o mais...

* Fui no acampamento do JV/FLAM/ABUB: o que valeu a pena foi a presença do meu bro Esdras (sou muito grato a esse cara), a entrevista que fiz com o Paulinho do site irmaos.com, a palestra sobre vida digital do Gustavo Da Hora (foi dá hora meu), das preleções de Taís Machado (seria uma Nane contextualizada?) e Binja (a verdade da mentira da verdade já foi fruto de algumas reflexões minhas) e claro, da super entrevista que fiz com o Cal sobre piercings e suas curiosidades.

* Conversas com o China: outro bro. Os nossos diálogos tem sido muito reflexivos e claro, engraçados. Foram esses papos que me fizeram voltar a comer os lanches do Extra, mais baratos e com alguma sustança.

* Visita Dani e Diguinho + MPC SP: mais gente que eu amo. O pastel na frente do Pacaembu foi demais. Mais nossos diálogos e afetos sempre são o ponto alto dos nossos encontros. Acertei com a MPC SP um esquema para escrever mensalmente no Blog sobre personagens da história da Igreja. A primeira pessoa que será apresentada é o respeitável James Houston, um dos últimos grandes pensadores cristãos do século XX e discípulo de Jesus que muito me ensina.

* Visita Família Coutinho: olha aí, mais gente querida. E de quebra o Manu apareceu. É bacana ser cercado por gente bacana. Simples assim.

Mando um Salve para o Demétrius, a Cris e a Rebeka de Cerquilho, para o Sugoi de Mauá, o Germano de São Paulo, a Nana de Manaus e a Analice de João Pessoa.

domingo, 2 de agosto de 2009

A primeira impressão, o sofá, o gato, a coriza e adjacências


A sala estava repleta de sombras. As reformas realizadas no apartamento desativaram o sistema de iluminação da sala. Em “L” o sofá fofucho acompanhava uma bendita mesinha, que apoiava um arranjo floral de plástico. Um gato passeava no local, claro, se comportando como o dono do mesmo e naturalmente distribuindo o seu pêlo por onde passava.
Eram três pessoas sentadas no ambiente. A ocasião? Surreal. Rapaz de vinte e quatro anos visita namorada antes virtual agora real e tem o primeiro contato com a mãe desta, residente numa cidade quente, seca e fantasiosa. Naquele momento o objetivo do sujeito era simples: causar a melhor impressão possível.
Os três sentam no sofá e começam a desenvolver um diálogo. No inicio, trivial, conversando sobre a viagem, o clima da cidade, coisa e tal. Terminado isso, o silêncio pula na frente das pessoas, só não é tão constrangedor devido à falta de iluminação e a intervenção felina do gato branco, peludinho, que passeava pela sala não respeitando a presença física das pessoas, inclusive caminhando sobre pernas e braços. Nesse momento, uma estranha sensação de déjà vu assombra João; a mãe da menina é muito parecida com a mãe de uma ex-namorada, a dona Maria. Inusitado.
O rapaz com a garganta seca, antes de iniciar o seu discurso, pede um copo d água à namorada cujo apelido é Drika. Após o primeiro gole, colocou o copo na mesinha e ao inspirar percebe que o nariz recebeu justo naquele momento a visita de uma maldita coriza, numa fração de segundos ele recorda as palavras estúpidas de uma canção infantil entoadas pela Vovó Mafalda (algo assim: “ai meu nariz, ai meu nariz, ele se parece muito mais com um Chafariz!”). Mesmo assim, começa a discursar: “Então dona Ana, como você sabe conheci a sua filha na internet há alguns meses e depois de muitas conversas pelo e-mail (?), msn e telefone resolvemos namorar (nesse momento, uma pequena quantidade de muco transparente descia generosamente do nariz, discretamente, a mão esquerda toca o infeliz impedindo a gosminha de pingar na camiseta) e gostaria de saber se a senhora tem alguma recomendação, sei lá, queira falar alguma coisa sobre isso”.
Então dona Ana iniciou um breve relato sobre sua história, e claro, nesse período a cabeça do casal apenas balançava verticalmente e em alguns momentos horizontalmente intercalados por interjeições (oh!, mesmo?, caramba!, duro né?, etc.) e a mão esquerda juntamente com o nariz já estavam ficando melecados. Num dado momento, João pediu licença, foi apressadamente ao banheiro, lavou o nariz e as mãos, pegou uma quantia considerável de papel higiênico e retornou a sala sombria, que naquela ocasião estava lhe servindo de companheira para atingir aquele objetivo.
Ao retornar, afundou no sofá com direito ao ruído de pum emitido pela compressão do assento, sentiu a garganta seca e foi dar mais um gole no copo d água. Enquanto a água proporcionava a sensação de alívio na garganta, sentiu a presença de uma coisa estranha rapidamente identificada: pêlo de gato. Naturalmente engasgou, tossiu como um fumante em estágio final de vida e soltou uma bola de pelos da boca (brincadeirinha foram apenas alguns pelinhos).
Nesse momento, o cara já estava pouco se lixando com bons modos. O único pensamento que estava sentado em sua mente era de matar o maldito gato, e claro, “...tomar o maldito anti-alérgico, dormir e acordar no dia seguinte, que m#@x!”. Mesmo acudindo o rapaz, por alguma estranha razão, a dona Ana desejou maior interação com ele, e iniciou uma série de perguntas, do tipo “você mora lá a quanto tempo”, “o que fazem os seus pais”, “é formado em quê?”, “trabalha com o quê?”, “onde você estudou?”, etc.
Solicito mas aparentemente irritado, João foi respondendo as perguntas. Desejando estabelecer laços de afeição, fazia questão de iniciar as respostas com vários “então dona Ana”, entretanto, automaticamente trocava o “dona Ana” por “dona Maria”, sabe como é que é, herança do relacionamento (bem) passado. Depois de alguns momentos percebeu o ocorrido, mas, à francesa, apenas começou a fazer um grande esforço para não cometer a gafe. Sabe-se lá quantas vezes trocou os nomes, pois o nariz, a garganta, o ódio pelo gato e o cansaço da viagem começavam a alterar o seu comportamento.
Após terminar o diálogo, pegou suas roupas na mala, correu para o banheiro, tomou um banho intermitente (água fria e água quente, lembram da reforma?), se vestiu e passou um tempo, digamos, interessante com a namorada. Aquilo era só o começo do que estava por vir nos próximos dias.
Dias inusitados.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Sobre o dia dos namorados: mini conto


De segunda a sexta-feira Rafael acordava às 06hs30min, pulava da cama, ia ao banheiro, tomava uma rápida ducha, escovava os dentes, utilizava o desodorante, borrifava duas vezes um perfume suave no pescoço, vestia sua roupa e literalmente, corria para o trabalho.
De casa para o trabalho levava uns 30 minutos, já que apenas precisava tomar um metrô entre as estações da Liberdade e Vila Mariana. E durante os poucos minutos na minhoca de metal avistava uma bela e simpática moça, que devido ao clima matutino de outono/inverno, sempre estava vestida com uma blusa preta com um cachecol vermelho enrolado no pescoço. Mas o que mais chamava a atenção do rapaz era o olhar compenetrado no livro que segurava firmemente numa das mãos, sendo que de tempos em tempos a outra mão ajeitava os óculos que teimavam em escorregar pelo delicado nariz levemente arrebitado da assídua leitora.
Quando estava hipnotizado observando tal figura, ouvia o sinal soar e o operador anunciar a estação da Vila Mariana como próxima parada. Era hora de voltar para o mundo real.
Sobre o trabalho de Rafael, nada direi. Não que o trabalho deixasse de moldar nosso personagem, mas o foco dessa breve história é o processo onde a curiosidade do menino o levou a conhecer a moça da leitura, termo cunhado pelo próprio.
Como a moça sempre estava no mesmo canto do vagão do metrô, dia após dia o cara foi se aproximando dela. Numa quinta-feira, por estar ao lado dela, percebeu que a garota lia Dom Casmurro escrito por Machado de Assis. Ele presumiu que ela já lera três quartos do livro ao observar as páginas presas pelo dedão esquerdo. No mesmo dia durante a noite, sem hesitar, ligou o computador e foi vasculhar no Google resumos sobre a obra de Assis. Rafael utilizou esse recurso por simplesmente ignorar o conteúdo do livro, apesar de já existirem filmes e até um seriado sobre o mesmo. Em todos os resumos que lera percebeu que uma das incógnitas da obra era a questão da traição ou não de Capitú em seu casamento com Bentinho, apesar do narrador da história apontar elementos que podem inclinar o leitor a crer na traição.
Na sexta-feira, ao entrar no vagão e se aproximar da moça da leitura, tomou coragem, e dirigiu as seguintes palavras para ela: Desculpe interromper sua leitura, mas gostaria de saber sua opinião, e então, Capitú traiu ou não Bentinho?
A moça surpresa dirigiu o olhar para Rafael e de maneira simpática respondeu: Olha, eu acho que não, acredito que o ciúme de Bentinho o fez ter essa impressão errada de Capitú. E você, qual a sua opinião?
Ele não contava com a resposta da menina e muito menos com essa pergunta, mas de maneira safa e com algum embaraço respondeu: Eu ainda não cheguei a uma conclusão.
Imediatamente a moça se surpreendeu: Sério!? Você é a primeira pessoa que eu conheço que fica em cima do muro nessa questão. Mas o que falta para você chegar a conclusão?
Só restou a Rafael soltar um: Bem..., então, tipo assim... quando de repente ouviu soar o sinal e anunciar a estação da Vila Mariana. Rapidamente disse a moça: Poxa vou ter que descer no próximo, que pena, bem na hora em que iria te explicar... Se você não se importar eu explico outro dia, claro, se for possível. A moça sorriu e balançou a cabeça de modo afirmativo. Então ele se despediu dela com um tchau e saiu corado do vagão.
Enquanto subia as escadas ele pensou como transmitiu uma péssima imagem para a moça, aliás, esqueceu até mesmo de perguntar qual era o seu nome. Em sua mente conversava consigo mesmo:
Eu ainda não cheguei a uma conclusão, droga, ela deve ter pensado que eu sou um idiota, mas pelo menos ela interagiu comigo, quem sabe outro dia? Mas e se ela me achou um desses malucos chatos que puxa conversa no metrô? E o nome dela, porque eu não perguntei, já que ela havia me dado atenção, tsc, tsc, tsc, quando vou aprender a ser objetivo? Quem sabe na segunda?
Ao chegar no escritório se recordou que aquela sexta era o dia dos namorados. Mesmo há alguns anos sem namorada sabe se lá porque, pelo menos, naquele dia foi dormir abraçado a uma ponta de esperança proporcionada pelas infinitas possibilidades que podem ocorrer no próximo encontro, mas antes, precisava ler mais sobre o enigmático livro de Assis para bolar uma boa explicação sobre não ter uma posição definida sobre a traição ou não de Capitú.

Imagem: Sugoi

domingo, 15 de março de 2009

Sobre a oração...


Muito se fala sobre a oração, seja sobre o seu poder ou simplesmente sua necessidade. Dentre as mais variadas vertentes sobre a oração, abracei aquela que me parece mais aproximada com a apresentação bíblica: a oração como instrumento de relacionamento com Jesus.
Soren Kierkegaard cunhou uma frase mais ou menos assim: a oração não muda a vontade de Deus, mas sim, a nossa. É muito possível que ele tenha observado Jesus Cristo pedindo ao Pai para fazer o que Ele desejava ao invés de sua vontade naquele exato momento.
Se você encara a Trindade como a comunidade de três pessoas, com identidades distintas, mas apenas uma única essência, uma união perfeita, descrita por Eugene Peterson pelo termo perichoresis que segundo o autor: “Perichoresis significa dança em grego... Imagine uma contradança folclórica de roda, com três participantes em cada grupo. A música começa e os três de mãos dadas, começam a se mover num círculo. Como um sinal do marcador, eles soltam as mãos, mudam a formação, vão de um lado para o outro. O ritmo acelera, os participantes movem-se com mais rapidez entretecendo-se uns com os outros, balançando e girando, segurando e soltando, aproximando-se e separando-se. Mas não há confusão, todos os movimentos são perfeitamente coordenados, seguindo ritmos precisos (são dançarinos experientes e hábeis!), e cada pessoa mantém sua própria identidade” (A maldição do Cristo Genérico, p. 59 e 60), então você provavelmente encara o Pai, o Filho e o Espírito Santo como um ser absoluto, ativo, pleno de conhecimento (afinal, ele criou o mesmo), que existe desde a eternidade e não está preso na linha do tempo.
Ás vezes penso: como conversar com um Ser tão grandioso como esse?
Como as minhas necessidades cotidianas de alimentação, movimentação, educação, relacionamento e tantas outras, como por exemplo, as abelhas que montaram uma colméia no telhado de casa e que oferecem perigo para qualquer um que ousar mexer nas telhas podem ser do interesse desse Ser?
Quando leio os evangelhos, fico embasbacado com Jesus puxando conversa com uma mulher samaritana, que na época, era vista como uma pessoa de má fama, ou simplesmente se auto convidar para uma refeição na casa de um fiscal da receita federal de Israel que na cara dura enriquecia com negociações extra-oficiais. Fora a paciência em ouvir os seus discípulos, de pedidos inescrupulosos do tipo: aí Jesus, deixa eu e meu irmão sermos os nº2 e 3 do Reino de Deus?
Sim, Ele nos ouve! Desde os nossos pedidos mesquinhos e egoístas, que destoam de seu caráter, até nossas confissões sinceras, pedidos de socorro e as lamentações por nossos erros, falhas ou a desgraça que inesperadamente nos abraça.
Quando converso com Jesus imagino que estou falando com um amigo de longa data, que está mais interessado em me ouvir, pensar no que falei e compartilhar comigo sua sensata observação sobre o que estou falando para Ele, me orientando a tomar decisões difíceis, mas acertadas e coerentes, de maneira que o seu amor por eu é evidente.
Por mais que tenhamos sonhos, planos e projetos, se entregamos nossas vidas nas mãos de Jesus, sendo guiados pelo Espírito Santo, só nos resta compartilharmos nossas vidas com Jesus e por fim, encerrar nossa conversa com a frase dura, mas libertadora que Ele mesmo ensinou: “... não seja feita a minha vontade, mas a tua.” (Evangelho de Lucas capítulo 22 versículos de 39 à 45).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Prestação de Contas

Cerquilho, 03 de fevereiro de 2009.
Esdras meu mano e MPC Mauá! Preciso compartilhar com vocês sobre como foi o treinamento e o ENO deste ano.
No treinamento fiquei encarregado de organizar os locais e fornecer suporte necessário para a realização de oficinas que abrangiam diversos assuntos, de trabalho em grupo à missão integral. Também fiquei encarregado da arrumação do auditório, do lançamento de notas na planilha de avaliação e da liderança de um pequeno grupo de adolescentes entre 16 e 17 anos.
Trabalhei bastante no treinamento, foi um momento de reordenar as idéias e ouvir coisas fantásticas como por exemplo, o funcionamento de grupos de trabalho para a execução de tarefas, muito útil.
No mesmo tive a oportunidade de varrer os corredores do auditório e refeitório e a escadaria com a pessoa que apresentou a MPC para mim na década de 90, o antigo líder da MPC São Paulo Wagner Glória. Junto com ele estou tecendo sonhos para um projeto com líderes de jovens no que se refere a transição de liderança, ou seja, o processo de passar o bastão.
Lá também conheci o Pr. K e sua esposa Cida, e talvez eu vá realizar algum trabalho com a juventude da Igreja Presbiteriana no retiro de carnaval deles.
Como líder de pequeno grupo pude ouvir alguns adolescentes e aconselhá-los no temor do Senhor.
A má notícia fica por conta da doença do Pr. Roberto Márcio (não sei ao certo se é um mioma), ele está realizando um tratamento forte e procurando doador de medula óssea, por favor, avise aos que são discípulos de Jesus para intercederem por ele.
Sobre o ENO (Encontro Nacional de Obreiros), foi uma reunião surpreendente. Nesse ano ficamos estudando o foco estratégico da MPC:
“A MPC trabalha em conjunto com igrejas locais e outros parceiros de visão, alcançando jovens em todos os lugares, para se tornarem seguidores de Jesus por toda a vida, que lideram através de um estilo de vida santo, com devoção pela Palavra de Deus e oração, paixão por compartilhar o amor de Cristo e compromisso com o envolvimento social”.
Além disso, pude apresentar uma rápida palestra sobre o preenchimento de relatórios e exortar os líderes da MPC a continuarem a celebrar ao Senhor através dos mesmos.
Algumas palestras me marcaram durante o ENO: a palestra ministrada pelo Pr. Ricardo Costa sobre a realização de devocional e meditação bíblica, a palestra de Breno Brilhante, Secretário Executivo Regional do Nordeste sobre a paixão pelos jovens que não conhecem a Jesus, a palestra do Pr. Ivênio dos Santos sobre a graça da Salvação e da Santificação e por último, a palestra do Pr. Ricardo Costa sobre o funcionamento do discipulado na época de Jesus.
Todas essas palestras e o testemunho dos participantes da Assembléia Geral da MPC Internacional realizada em setembro último na África do Sul, juntamente com as conversas com demais obreiros da MPC foram edificantes e me auxiliaram a olhar para Jesus numa outra perspectiva, mais esperançosa do que a minha própria.
Quero agradecer publicamente a MPC Mauá e ao Esdras por acreditarem em mim e investirem no ministério que tenho desenvolvido entre adolescentes e jovens ao me enviarem para o treinamento e o ENO 2009. Jesus usou vocês de maneira surpreendente!
Obrigado!
Fábio
P.S. não deixem de ver as fotos no meu orkut...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Prepare-se para ser surpreendido...

Isso mesmo!

A lição vêm do maravilhoso filme Dan in real life (Eu, meu irmão e a nossa namorada), com Steve Carell e Juliette Binoche no elenco e trilha sonora belíssima de Sondre Lerche.

Se você assiste How I Met Your Mother (seriado norte-americano) conhece Ted Mosby o arquiteto que pensa muito e planeja demais, pois é, sou muito parecido com ele nesse quesito. Entretanto planejar não significa necessariamente em encontrar soluções práticas e processos estáveis. A música nove luas dos Paralamas ilustra bem isso. Peso o tempo e o vento, analiso a economia, acompanho os desdobramentos e faço o meu planejamento, baseado na prudência, com calma e paciência. Lembro das aulas do meu professor de Logística Empresarial, o Ferrante, que sempre insistia com os alunos na necessidade de planejar. Segundo ele, o planejamento é necessário porque ele não será plenamente realizado, mas nos fornecerá idéias para solucionarmos as indesejáveis surpresas que teremos durante a execução do planejamento. Sábias palavras!

Nos planejamos para não sermos surpreendidos por coisas que consideramos indesejáveis, mas se o querido leitor for uma pessoa que já experimentou “o jeito engraçado da vida” (life is funny way) em lidar com a nossa história (definição extraída da Alanis Morissete em sua canção Ironic), saberá que as circunstâncias (chamo elas de tempo e vento) vão de alguma maneira nos pegar de calça curta. Seja o casamento perfeito que hoje está arruinado, o emprego maravilhoso que sugou nosso tempo, nosso ânimo e nossas energias ou a saúde que desapareceu e nos deixou repentinamente num leito de hospital público, enfim, essas coisas acontecem em nossas histórias, por mais vezes que tenhamos ouvido “feliz 2009!” de umas quinhentas pessoas. Aliás, essas coisas apenas acontecem com pessoas que vivem nesse planeta, não importando sua idade, gênero, condição social, religiosa, etc.

Não posso ser falso com você que lê o meu blog! Em 2009 coisas ruins acontecerão com você! E não caia na besteira de querer dar uma de contador no fim do ano, elencando as coisas boas e ruins como se fossem o Ativo e o Passivo de uma empresa e depois analisar se fechou o ano no azul ou no vermelho. A vida não funciona assim. Algumas coisas ruins acontecerão com você e elas podem tirar o seu ânimo de viver como um soco tira o ar do estômago e nos leva de joelho ao chão. Numa das poucas coisas que concordo com o filósofo alemão Nietsche é que o sofrimento tem o poder de nos aperfeiçoar, nos tornar pessoas melhores. Ele dói muito, mas nos deixa mais sensíveis quanto ao outro, mais fortes quanto as diversidades, mais humanos quanto a vida.

Sonhos frustrados não são uma tragédia. A tragédia é desistir de sonhar. A morte dos sonhos serve de adubo para a formação de outros. Você já pensou na quantidade de sonhos egoístas e mesquinhos que já teve? Já pensou no desastre que seria a realização de alguns sonhos? Pense nisso... A não realização de um sonho pode nos conduzir a sonhos não apenas belos, mas palpáveis, altruístas, que consideram a existência do outro. Sonhos que demandarão nosso esforço, nosso cansaço e até mesmo nosso aborrecimento, mas que sua concretização não apenas nos satisfaz, mas nos torna pessoas melhores por satisfazer a outros.

Mas 2009 não será apenas sombrio. Haverão momentos maravilhosos, que poderão ser vividos se nosso coração não estiver amargo, nossa mente estiver limpa, nossa perspectiva da vida estiver equilibrada. Portanto, prepare-se para ser surpreendido, pois a beleza da vida está em seu movimento, seja nas coisas tristes ou alegres, não perda a oportunidade de viver: chorar, sorrir, correr, respirar sentindo o ar, olhar para o céu, conversar com as pessoas e com Jesus, sentir a chuva, pegar uma gripe, sentir o perfume doce que paira no ar, sentir dor de cabeça, torcer para o seu time do coração, ouvir alguns nãos e também os sims.

Em 2009 se tiver que se preparar para alguma coisa, prepare-se para ser surpreendido!

Fábio - que teve um 2008 doído, frustrante mas que não deixou de apreciar os momentos incríveis...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Amor de perdição

É estranho quando vemos casos na tv como o de Eloá. Uma menina de 12 anos que começa a namorar um rapaz de 19 anos, que depois de 3 anos é assassinada pelo mesmo porque rompeu a relação com ele e começa a namorar com um terceiro.
O caso de Eloá não é isolado. Ele apenas é um de diversos desdobramentos relacionais de nossa época. Depois que a desgraça ocorreu, ficamos pensando no que deu errado. Muitos condenaram a mãe da menina por permitir o relacionamento da menina aos 12 anos, mas a situação não é tão simples como parece. O argumento da mãe sobre a permissão se baseou no já conhecido "se nós pais proibimos, então os filhos fazem escondido".
Todos nós somos responsáveis pela situação presente. Ou fomos compassivos com as mudanças ocorridas em nossa sociedade ou simplesmente nos calamos diante das mesmas. Leia-se "calamos" como a inércia de debater em nossos círculos sociais sobre tais mudanças, seus benefícios, malefícios e impactos presentes e/ou futuros que elas nos trazem. Dar "pitaco" em situações ocorridas com "outros" não se enquadram nesse escopo, e nunca na história da humanidade isso contribuiu com a reflexão e/ou aperfeiçoamento das relações humanas.
Sempre que um crime desse choca o país e há a existência do "clamor popular" ouvimos aquelas frases feitas do tipo: "Isso é falta de Deus", ou "Precisamos resgatar a moral", etc...
Na minha opinião, isso é um paliativo que utilizamos para aliviar nossa perplexidade e continuarmos nossa corriqueira jornada desprovida de reflexão, meditação, silêncio e compartilhamento de como estamos vendo o mundo atual com outras pessoas.
Um velho sábio poeta de uma sabedoria milenar certa vez escreveu: "não despertem nem provoquem o amor enquanto ele não o quiser". Antes que você, paciente leitor, se pergunte sobre o significado dessa pérola, apenas saiba que ela provém de uma época em que o pensamento humano compreendia que há um tempo específico para a implementação de decisões na vida, da mesma forma que há tempo específico, de acordo com as épocas que existem para se plantar, cultivar e colher.

Sabemos que uma mulher pode ter uma gestação a partir do momento que seus óvulos estão prontos para o processo, mas isso não significa que tão logo esse processo seja iniciado ela deve se dispor a maternidade. As pessoas não nascem prontas, todos nós estamos num processo de maturação. Provar de frutos verdes não é um ato saboroso ou prazeroso, é algo amargo, que tira todo o potencial que o sabor poderia alcançar caso amadurecesse no tempo devido.

A cada ano os relacionamentos amorosos entre pessoas tem se iniciado mais cedo e com um novo arranjo para a nossa época: os relacionamentos amorosos entre pessoas do mesmo sexo. Isso não é novidade dentro da história da humanidade, mas, me pergunto: Por que não olhamos para a história procurando os indícios sobre as culturas que possuíam essa prática e os motivos que levaram a implementá-la e depois abandoná-la? Acredito que isso nos ajudaria muito a encontrarmos parâmetros para discutir a situação atual.

Outras perguntas me incomodam:

· A relação sexual é o ápice da felicidade humana? A pessoa só pode se declarar feliz caso tenha uma vida de atividade sexual?

· Por que o sexo é encarado na atualidade como uma atividade equivalente a uma prática de entretenimento, como assistir um filme, praticar por diversão um esporte, etc?

· O ato de poder gerar uma nova vida é realmente algo valioso para nossa sociedade? Temos o devido respeito sobre gerar uma nova vida ou simplesmente a vemos como um processo que pode ser manipulado e totalmente reversível?

· O que relacionamentos como ficar, namorar, noivar e casar realmente significam para nossa sociedade como um todo? O problema está intrinsecamente nos arranjos criados ou comportamento humano atual diante deles?

· Devo consultar alguém, como meus pais, amigos, professores, antes de tomar decisões significativas sobre minha vida? Fico pensando o que poderia ter acontecido se Lindenberg procurasse um amigo e compartilha-se com ele o que estava planejando para “recuperar” o “amor” de Eloá.

· Como a polícia inglesa conseguiu diminuir e quase eliminar a comercialização de armas dentro da Inglaterra? O que nos impede de implementar isso no Brasil? Que outras soluções podemos encontrar para esse problema de nosso país?

· Quais são os procedimentos utilizados pelo o GATE em situações de seqüestro? Existe um diagrama processual de decisões passíveis de implementação quando esgotados as tentativas de negociação de libertação de reféns?

· Afinal, o que de fato representa essa palavra denominada amor?

Acredito que esses questionamentos nos ajudarão a iniciar um processo de reflexão e discussão dentro de nossos círculos sociais, desde que sejam encarados com franqueza e gerem respostas sinceras, por mais perturbadoras que sejam.

Fica aqui registrado a minha tristeza com o ocorrido com essas famílias de Santo André e meu desejo que sejam consoladas por Jesus Cristo através daqueles que os amam ou que se compadeçam com a dor gerada por essa tragédia.

Que ela apenas não alimente a necessidade de produzir notícias da imprensa e curiosidade da população brasileira, mas que sirva de lição, tanto para famílias, adolescentes desejosos de amadurecer precocemente desnecessariamente, amigos, professores e para a sofrida polícia brasileira.

Até o próximo post!

Fábio

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sobre o cavaleiro das trevas e a fé cristã...


Esse filme do Batman deu muito o que falar. De fato, é uma obra-prima do cinema atual.
Fiquei perplexo com a atuação do ator que interpretou o Coringa, aliás, esse personagem em muito me lembrou um ser de verdade, mas não de carne e osso: o capeta.

Esse Coringa tem a anarquia correndo nas veias. Ele foi baseado na incrível HQ Piada Mortal. O cara transforma a cidade num verdadeiro caos simplesmente porque é obcecado em destruir o Batman. Ele não está preocupado com qualquer outra coisa, ele assalta o banco, debocha da máfia, queima o dinheiro, golpeia os orgãos do estado, assassina pessoas, enfim, ele avacalha tudo, apenas, para infernizar a vida do Batman.

Ele sabe que o Batman rege suas ações por um código de conduta baseado na justiça, na preservação do ser humano, mas, ele também sabe que o Batman é humano, e por isso corruptível. Então ele começa a desafiar o Batman quanto aos seus valores, sem se importar de tomar uma surra do herói até cair morto. O seu objetivo não é sobreviver, ele perdeu sua vida, a razão própria de existir há tempos, por isso, a única motivação que possuí é detruir o Batman, reduzi-lo a um ser medíocre, que mesmo possuindo boas aspirações decide abrir mão delas para satisfazer suas necessidades, no caso, a de vingança pura e simples.

O Coringa é um ótimo retrato de Satanás: ele se opõem a ordem, ele é cruel, seus planos são engenhosos e espantosos, ele joga sujo, busca atingir o ponto fraco das pessoas. Sua única motivação é a destruição da raça humana. Seus esforços estão dirigidos em exterminá-la, das mais variadas formas. Isso existe desde que a humanidade está debaixo do Sol.
Satanás sabe que perdeu a batalha cósmica quando um dos seus planos aparentemente mais engenhosos conseguiu ser cumprido: o assassinato do Deus encarnado realizado pela humanidade. Mal sabia ele da grande reviravolta que a entrega do Deus homem à morte provocaria no cosmos.

Satanás é um rebelde. Ele se rebelou contra Deus. Homens e mulheres são rebeldes, desde que o relacionamento com Deus foi rompido num jardim. Cabe a cada um de nós num processo misterioso em tomar parte numa dessas duas grandes vertentes do cosmos: a rebelião contra o Deus trino ou a libertadora rendição ao seu governo, o seu invísivel mas real reino.

Que tenhamos a coragem necessária para assurmimos nossas posições no cosmos e caso essa seja de rebelião, que haja sincero arrependimento e rendição ao senhorio de Cristo. Dia após dia.

sábado, 5 de julho de 2008

Sobre The Office


Então, depois de meses, definições e novas indefinições, volto a escrever, esse exercício tão prazerosa de construir diálogos com o nada (ou não).
Enfim, quero escrever sobre a melhor série de comédia que existe (melhor que Friends!): The Office.
Trabalhar em escritório é um arte, já que cada é um microcosmo peculiar. Como já trabalhei em uns 7 diferentes, inclusive de localidades diferentes, descobri que existem coisas que são tipo default nesses ambientes de trabalho. Explico: por exemplo a guerra de cadeiras, onde as pessoas ficam "roubando" as melhores cadeiras, trocando-as após o expediente ou antes de seu inicio. Isso é só um dos milhares exemplos que vi se repetir em localidades diferentes.
Essa série traz alguns exemplo da vida do escritório e nos envolve com personagens ricos e não tão surreais como Michael Scott, Dwight, Jim, Pam e cia. Se você nunca se aventurou nesse terreno arenoso e cheio de perigos, dificilmente achará graça dos episódios e tramas contidas.
Quando Dwight tenta puxar o tapete de Michael pedindo para Jan a vaga de chefe do escritório da desconhecida Dunder Mifflin, distribuidora de papéis, nos surpreendemos como Michael soluciona o problema.
Outra coisa que eu curto são as brincadeiras que Jim apronta com Dwight, seja enviar faxes para ele como se fosse o Dwight do futuro mandando recados ou simplesmente o envolva numa missão ultrasecreta da CIA. Curto também o romance dele com a Pam, a secretária/babá.
Como estou com sono e não estou querendo escrever, fica a dica, assista The Office e ria de suas próprias misérias na vida corporativa!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Sobre as palavras...

Não sei se você já sentiu isso, uma vontade enorme de fazer algo lícito que vc curte, mas que vc nega, simplesmente esperando que isso acumule dentro de você até naturalmente expressar aquilo que pensa, que sente, com serenidade e segurança. Não sei se isso é lance de artista, apesar de não me considerar um, entretanto, isso acontece comigo.
No caso, seria escrever. Tanta coisa aconteceu desde o último post, a vida é dinâmica e não pára, embora às vezes pareça como aquela àgua parada e sem vida represada num pneu velho, mesmo assim a vida segue...
Após muito pensar, resolvi escrever sobre as palavras, que são tão costumeiras como pardais, mas tão fatais como serpentes, ou tão vívidas quanto a um Labrador. Ah as palavras... Elas estão por aí, na sua boca ou numa música executada num mp3 player ou um disco na vitrola. É fácil encontrá-las nos programas de tv e também nos filmes. Ao andar pela rua vc as verá nos letreiros, nos adesivos dos carros, nas bancas e até nos livros que vc (não) lê.
Elas foram o meio que o criador deste universo elaborou para a humanidade expressar a vida, seja através de sons ou com o advento da escrita, visivelmente.
As palavras podem ser agradáveis ou simplesmente àsperas, podem ser um Oásis ou um Saara, enfim, nossas vidas passam por elas. Algumas guardamos em nossas mentes, ao ponto de ficarmos estáticos quando a ouvimos independente do contexto, elas nos remetem a situações que aprecíamos ou que nunca gostaríamos de ter conhecido.
É incrível quando uma outra pessoa consegue sintetizar nossos pensamentos e emoções através de palavras que não conhecemos, mas que quando traduzidas e interpretadas corretamente, parecem ter sido proferidas por nós.
Com o passar do tempo percebi minha preferência por autores das mais diversas mídias, e lembrando as que usam palavras como a literatura, a música, o cinema, a televisão e o teatro, tenho uma pequena lista de pessoas que aprecio e que parecem se relacionar comigo são elas:

Literatura: Dostoiévski, Chesterton, Houston, Machado de Assis e o Quintana.
Música: Foo Figthers, Zélia Duncan, John Mayer, Pato Fu, Paralamas, Alanis Morissete, Sérgio Pimenta, Janires, Los Hermanos, Zeca Baleiro e outros...
Cinema: Cameron Crowe (para mim o cara é brilhante).
Televisão: Greg Berlanti
Teatro: Shakespeare

É incrível poder ver a natureza humana e a graça comum através das obras desses caras, às vezes, quando ouço uma música, vejo um filme, ou leio um livro, tenho a sensação de conversar com essas pessoas em minha mente, apesar da distância de tempo e espaço que tenho deles, isso é incrível, perceber que existe uma espécie de conexão com eles através desses trabalhos.

A vida é incrível. Existir é simplesmente experimentar algumas dos zilhões de possibilidades que podem ocorrer a alguém neste planeta, das horríveis, às sublimes, sem ignorar às que isturam ambas.
Viver dói mas ainda não inventaram nada melhor!
Sofrer é horrível, mas sem sofrimento não há aperfeiçoamento em nosso caráter.
A extâse do prazer é sublime, mas sua perpetuação além de nos arrancar a sensibilidade e matar o prazer, nos conduz ao egoísmo exacerbado e a alienação.
Bom é saber aproveitar a dor e a alegria e com elas, formar um mosaíco sortido de peças belas e feias, mas que contrastam e formam uma beleza única, a qual chamamos vida.

Não use as palavras apenas para se rebelar e ampliar a dor, use-as para também propagar vida.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A derrota da vitória

No sábado passado eu estava vendo televisão e ao passear pelos canais parei um instante num que apresentava um programa de um pastor da tv, o R. R. Soares, que estava falando sobre Jacó e como Deus havia dado a Ele a vitória. Depois ele emendou algo parecido com “se você está com problemas financeiros confie em Deus que ele lhe dará a vitória, acabando com suas dívidas e lhe dando prosperidade”. Ele apenas me recordou algo que eu tenho percebido já há algum tempo, a derrota da vitória dentro da perspectiva do evangelho.

Explico: como pode notar a frase nada mais é que um paradoxo, algo aparentemente contraditório. Entretanto tenho percebido que muitas pessoas que freqüentam as mais diversas Igrejas cristãs ou pseudo-cristãs compreendem a vitória como algo bem triunfalista, imbatível, inclusive lembrei até do trechinho de uma música daqueles grupos infantis tipo Balão Mágico senão o mesmo: “eu tenho a força, sou invencível...”, onde a vitória nada mais é que a garantia de “levar vantagem em tudo, certo? Em nome de Jesus!”, como se Deus privasse aqueles que lhe pertencem de dificuldades, dor, vergonha, angústia, depressão e humilhação.

Essa é a derrota da vitória, essa interpretação errônea, superficial e rala que muitos fazem dela no contexto do evangelho. É óbvio que no contexto da nossa sociedade global vitória nada mais é que a plena sobreposição sobre o outro em qualquer aspecto da vida, seja ele o relacional, profissional, comunitário, etc. Em nosso tempo a violência por mais que seja criticada é muito valorizada, juntamente com a exarcebada sensualidade exibida em séries norte-americanas, filmes franceses e italianos, novelas brasileiras, hqs inglesas, vídeo-clipes indianos e mangás japoneses. Sim, a sedução é um dos elementos da vitória dentro da perspectiva do pensamento de nossa época. Nem vou escrever sobre o carisma, pois não há muito o que escrever. Basta que alguém muito carismático apareça para arrastar milhares de seguidores não importando o seu discurso e muito menos o seu fingido comportamento. A ascensão financeira por meio das “bênçãos determinadas” é um ótimo sinal de que o evangelho foi pro ralo, pois não importa se ela é conquistada por meio da exploração do outro, como dita a cínica cartilha capitalista, o que importa é se ela é rentável e se gera um rápido retorno positivo.

Ás vezes me pergunto se apenas eu e meia dúzia de iluminados está lendo a bíblia e interpretando um Jesus Cristo apontando para uma outra direção, uma outra proposta em relação a nossa época. No Reino de Jesus o cara que encontra a felicidade é àquele que confessa a necessidade de se relacionar com o seu criador, por ser pobre de espírito, ou seja, falido espiritualmente por ser pecador e não o cara que gera um frisson quando passa rapidamente em algum lugar, prometendo “bênçãos e curas”. Ainda sobre o discurso de Jesus no início do capítulo 5 do evangelho de Mateus fico impressionado quando ele declara que os que choram, os que trabalham pela paz, os que têm sede de justiça (no Brasil eles estão em extinção) e os que são perseguidos por viverem as verdades do evangelho são as pessoas que realmente encontraram a felicidade. No manual da felicidade de nosso tempo os felizardos são àqueles que possuem muitos bens e muito dinheiro, que satisfazem seus desejos quando o querem, que subjugam os outros, os dominam e os que são assediados e desejados por todos.

Honestamente, quais são os elementos que você consegue facilmente visualizar nas comunidades cristãs que você conhece?

A vitória na perspectiva de Deus é algo muito diferente da nossa perspectiva. Enquanto nossa visão é muito parecida com o desfile de um general romano apresentando os despojos das batalhas que venceu para o seu imperador sendo saudado pelo povo eufórico, a de Deus é de um homem ensangüentado, humilhado, desprezado, pendurando numa rústica cruz no meio de 2 ladrões. Esse é o pódio de Deus, a entrega total com conseqüências terríveis motivadas pelo amor. Como bem disse alguém “sem morte não há ressurreição”.

Acredito que necessitamos rever no que está alicerçada a nossa fé...

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Quando postar não é nenhuma obrigação...


Quando pensei em desenvolver esse blog fiz questão de não me preocupar com atualização. Escrever é um prazer, não nego, mas o legal de escrever é a possibilidade de primeiro construir o texto na cabeça e depois transformá-lo em caracteres, palavras, frases e parágrafos, sem se preocupar, revelando o seu "jeitão" de escrever. Ainda penso em escrever um livro, mas honestamente, não estou nada a fim de fazer isso agora...
Aliás, já escrevi o suficiente hoje...
Até...

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Processo Seletivo: Inscrições abertas!


Se você está na segunda fase dos 20 e poucos anos e ainda caiu na loucura de dar atenção a um homem que existiu há mais de 2000 anos atrás por você crer que Ele é o próprio Deus, você terá muitas dificuldades de arranjar uma namorada. Explico: na mentalidade da nossa atual sociedade, um partidão é o cara que possui muito $ na conta corrente (ou que consiga aparentar isso), fortão e tatuado (para depois ficar gordão e borrado), que tenha “ficado” com diversas mulheres (ou seja, emocionalmente desfigurado). As coisas complicam quando isso começa a virar critério na cabecinha das mocinhas que compõem as Igrejas cristãs da região. Estou solteiro há quase 2 anos e estou começando a ficar preocupado... Conheci muitas pessoas, digo, moças na faixa etária dos 18 aos 30 anos, mas infelizmente pouquíssimas conseguiram me despertar a atenção... É impressionante o que se vê por aí (para não falar desanimador...), mas ficar apenas criticando o sexo oposto não irá contribuir muito, não é mesmo? Mas vou escrever o que penso a respeito das mocinhas:

Safra de 1975 à 1980

Essas mocinhas possuem experiência e a mesma, proporcionou amadurecimento para elas. Entretanto, chegar nessa fase solteira além de doloroso, desperta lembranças não muito agradáveis dos relacionamentos anteriores e com isso, o medo de se envolver novamente. Algumas estão colhendo os frutos de suas decisões por beneficiar o desenvolvimento profissional: sucesso profissional + solidão. Outras apenas solidificaram seu gênio irascível que na verdade contribuiu para afastar os homens de sua presença.

Safra de 1981 à 1985

Muita coisa boa saiu dessa safra, entretanto, você as encontrará namorando, noivando ou até mesmo casadas com algum felizardo. As que sobraram em sua esmagadora maioria possuem o dobro de relacionamentos mal resolvidos do que a da safra anterior e claro, sempre existem exceções! Algumas estão pensando se dedicam os próximos anos ao seu deleite profissional e a sua apetite por $, outras devido aos relacionamentos complicados que viveram tornaram-se pessoas demasiadamente complexas (leia-se complicadas).

Safra de 1986 à 1989

Encontrei alguns frutos bons dessa fase, entretanto, o restante já me fez repensar o velho argumento que as meninas amadurecem antes que os homens. Ao conhecer os meninos dessa safra mais de perto, fui obrigado a concordar com essa máxima (não esqueça das exceções!).

Algumas ligaram o generator muito cedo (essa expressão é uma referência a música de mesmo nome do Foo Fighters), ou seja, começaram a namorar cedo. Isso apenas adiantou os medos e incertezas para essas mocinhas devido a relacionamentos dolorosos e confusos.

Atualmente, para conhecer uma moça que dentro da minha concepção valha à pena para um relacionamento como o namoro, você se atirará numa jornada mais complicada do que a de Ted em How I Met Your Mother para encontrar a sua the one. É muito difícil conhecer novas mocinhas! Por isso resolvi inovar: vou encarar esse processo como um de seleção de estágio/emprego, se você estimada leitora ficou curiosa, leia o edital abaixo.

Se você mulher possui as seguintes características:

+ Está dentro da faixa etária de 20 a 26 anos;

+ É cristã;

+ Faz parte de uma comunidade ligada a uma Igreja Reformada;

+ Está solteiríssima;

+ É inteligente e dedicada aos estudos;

+ Discreta;

+ Gosta de livros, músicas, filmes e seriados;

+ Não é chata;

+ Tem bom gosto;

+ Mora na região do ABC Paulista;

+ Deseja a companhia de um homem que seja mais que um rostinho bonito e que lute para levar a sério essa história de discipulado de Jesus...

Tenho uma oportunidade imperdível para você:

O processo seletivo para se tornar minha namorada está aberto!

Envie seu currículo para mim! Os melhores currículos passarão por uma entrevista reservada em algum restaurante do ABC (ou praça de alimentação mesmo...), tudo isso na vasca, ou melhor, faixa!

Se você está cansada do gênero masculino venha se surpreender conhecendo um homem que possui muitos benefícios e apenas alguns malefícios “aturáveis” do sexo masculino! (MKT puro!)

Currículos que forem enviados por candidatas que estiverem fora do perfil poderão potencialmente ser eliminados. Essa é a chance que você tem pedido a Deus há algum tempo!

(Pelo menos farei meus amigos rirem...rs)